Notícia 15/07/2026 · 3 min de leitura

Brasil sem visto para chineses: Air China amplia voos para 4 por semana

Por Buvo

Avião pousando à noite em aeroporto na China

Desde 11 de maio de 2026, cidadãos chineses podem entrar no Brasil sem visto para estadias de até 30 dias, cobrindo turismo, negócios, visita a familiares e participação em eventos. A medida vale até 31 de dezembro de 2026 e é recíproca: brasileiros já viajam para a China sem visto desde maio de 2025. O efeito apareceu quase na hora: dados da plataforma chinesa Qunar mostraram buscas por voos ao Brasil crescendo 84% para Brasília, 27% para o Rio de Janeiro e 22% para São Paulo poucas horas depois do anúncio. A Air China, hoje a única companhia a operar entre os dois países, respondeu aumentando a oferta de assentos na rota.

O que mudou

A Air China ampliou sua rota entre Pequim, Madri e São Paulo (Guarulhos), de 3 para 4 voos semanais entre 8 de julho e 24 de outubro de 2026, período que a aviação trata como temporada de verão. Em junho, a companhia confirmou que essa quarta frequência semanal vai continuar depois disso, durante toda a temporada de inverno do Hemisfério Norte de 2026/27, mais tempo do que estava previsto originalmente.

Os voos são operados com Boeing 787-9 Dreamliner, sempre com escala em Madri: não existe voo direto entre Brasil e China. O trecho CA-897 sai de Pequim às 15h e chega a São Paulo na madrugada do dia seguinte; o CA-898 faz o caminho de volta, saindo de Guarulhos pela manhã e chegando a Pequim ainda no mesmo dia. Somando conexão e trechos, a viagem completa passa de 24 horas.

Quanto custa

Em fevereiro de 2026, o site Melhores Destinos encontrou passagens da Air China saindo de São Paulo para Pequim, Xangai, Guangzhou ou Hangzhou por R$ 6.599 ida e volta, com bagagem despachada inclusa, bem abaixo da média histórica da rota. Buscadores como Decolar e Kayak mostram hoje faixas mais altas, entre R$ 6.400 e R$ 7.400 ida e volta dependendo da data, o que ainda assim é competitivo para uma viagem intercontinental dessa distância (o trajeto soma mais de 17 mil km em cada sentido). Não encontramos nenhuma tarifa fixa de R$ 2.600 nas nossas buscas. Se esse valor apareceu pra você em algum lugar, é mais provável que fosse uma promoção pontual, já esgotada, ou referente a outro trecho.

Vale a pena?

Com mais frequência e mais concorrência por assento, a rota entre Pequim, Madri e São Paulo tende a ficar mais estável nos próximos meses, ao menos até o fim de 2026. O contexto ajuda a explicar o movimento: o Brasil recebeu mais de 103 mil turistas chineses em 2025 (35% a mais que em 2024) e outros 26.401 só no primeiro trimestre de 2026, alta de 30,5% na comparação anual. Em maio, o Ministério do Turismo também abriu conversa com a China Eastern, em Xangai, pra tentar viabilizar rotas adicionais entre os dois países, ainda sem trecho, frequência ou data confirmados até o fechamento deste texto.

Pra quem pensa em conhecer a China, ou em receber visitantes chineses por aqui, o momento é favorável: mais assentos disponíveis, visto dispensado até o fim do ano e concorrência aquecendo o mercado. A ressalva de sempre pra uma viagem tão longa continua valendo: reservar com antecedência e checar a política de bagagem, já que a conexão em Madri segue obrigatória.